sábado, 19 de março de 2016

A propaganda é a alma do negócio.... será?


Que a propaganda é a alma do negócio, eu não tenho dúvidas, mas também não tenho dúvidas que um bom produto é a alma do negócio, que um atendimento diferenciado é a alma do negócio, que um preço adequado aos anseios de seus consumidores.... também é a alma do negócio, ou seja, a alma do negócio são todas as estratégias de marketing que uma empresa usa, não para vender um produto, mas para encontrar uma forma de satisfazer as necessidades e desejos de seus consumidores e torná-los pessoas melhores, cidadãos conscientes de seus diretos e deveres e que possam contribuir com um mundo melhor para as gerações futuras. Mas, como estamos falando de propaganda como uma excelente ferramenta estratégica de negócios, vamos à ela.
A propaganda, apesar de muitos teóricos já difundirem há muito, mas muito tempo mesmo, que essa estratégia de marketing está com os dias contados, eu ainda acredito que seja uma das mais criativas formas de apresentar ao mercado o que uma empresa tem de diferente das demais para oferecer aos seus consumidores. Por mais que insistam que, com o excesso de comunicação pelos quais os consumidores são abordados durante um dia normal de seu cotidiano, no qual eles acabam por criar um escudo protetor para se proteger de tantos estímulos comerciais e, assim, dificultando o uso dessas estratégias, ainda acredito que exista espaço para mensagens criativas que consigam romper esse bloqueio criado pelos seus consumidores. Isso quer dizer que ainda continua sendo a alma do negócio, mas cuidado para que a sua propaganda não se torne a alma do negócio de outras empresas e não da sua.
Você já notou que algumas propagandas são tão marcantes que lembramos dela à todo momento, comentamos com os nossos amigos na roda do café, compartilhamos nas redes sociais mas, no momento de lembrar o nome da marca..... nada? Dá um branco, e acabamos por desconversar sobre o assunto? Fique tranquilo, a culpa não é sua. Apenas a propaganda, por mais criativa que seja, não conseguiu atingir o objetivo principal, que é o de comunicar a marca, o produto ou a empresa.
Um dia desses eu estava em uma roda de cafezinho conversando com um professor de publicidade e propaganda, e surgiu esse assunto. Os demais que estavam presentes quiserem se inteirar da conversa e, como bons profissionais da área que somos, começamos a explicar que isso ocorre com algumas propagandas, e para exemplificar a nossa linha de raciocínio, citamos o caso da Verão em sua campanha de cerveja que fez, e ainda faz, um grande sucesso nos meios de comunicação de massa. Para a nossa surpresa, uma grande parte das pessoas que estavam presentes na roda de café lembravam da propaganda (e muito bem, porque eram homens em sua maioria), porém não lembravam da marca da cerveja. Isso me intrigou e, no mesmo dia, fiz essa pergunta aos meus alunos em uma turma do curso de marketing. Para minha surpresa, apenas uma parte dos alunos lembravam da marca de cerveja, mas da moça personagem símbolo da campanha, todos lembravam. Fiz a mesma pergunta em outra sala e ..., os mesmos resultados.
Levantei inicialmente algumas teses sobre o assunto. Isso poderia ser um pouco de nosso instinto reptiliano agindo, e literalmente, fazendo com que os olhos dos homens se concentrassem mais na mulher do que na marca? Mas, e as mulheres, porque não perceberam a marca? Porque não são o público alvo da empresa? Ou que a marca não estivesse bem posicionada no momento da propaganda, perdendo ou brigando por um espaço de atenção com a modelo? Ou que talvez os alunos e os professores não fossem o público alvo da empresa?
Conjecturas ou teses de um marketólogo que adora questionar o marketing ao seu redor à parte, o que podemos entender é que, por mais que a propaganda seja criativa, talvez, para um público importante para a empresa, a mensagem publicitária da marca de cerveja pode não ter sido mais eficaz. Isso porque ao invés de fazer propaganda da marca que patrocinou essa estratégia de comunicação, acabou por destacar o segmento do produto, o segmento de cerveja, e todas as demais marcas que brigam pela atenção do consumidor dentro dessa categoria específica. Uma grande parte dos consumidores vinculou a propaganda a categoria de cervejas, e não a marca tema da propaganda. Bom para as demais marcas da categoria, mas para a empresa patrocinadora da estratégia de marketing, talvez nem tanto.
Portanto, lembre-se de uma famosa máxima da propaganda como estratégia de marketing, e de seus objetivos organizacionais. Uma propaganda deve responder ao modelo AIDA, ela deve chamar a Atenção, despertar o Interesse do público alvo, causar Desejo e finalmente, levar a Ação – a compra ou ao menos a lembrança da marca e produto. Se a sua campanha não completar o ciclo, faça uma revisão, caso contrário, a propaganda continuará a ser a alma do negócio, mas do negócio dos outros. Seja criativo no momento de propagar a sua marca. Lembre-se que o objetivo é propagar a sua marca, e não a categoria do produto e consequentemente, de seus concorrentes.

ps.:  E você, lembra qual a marca da cerveja da Verão?    

sábado, 5 de março de 2016

Por que recorremos às redes sociais para reclamar das empresas?


Sem dúvida alguma, vivemos em uma época na qual o poder está nas mãos dos consumidores, ou para ser mais preciso, em sua extensão, ou seja, nos dispositivos móveis que temos à nossa disposição para nos relacionarmos com as empresas, e com os nossos grupos sociais. Talvez, em nenhum momento da história do marketing, os consumidores tiveram à sua disposição mecanismos que permitam expressar suas opiniões, e reivindicar os seus direitos junto aos seus parceiros de negócios, as empresas. Basta que ele não seja atendido adequadamente, ou que o seu produto apresente um problema, que imediatamente irá às redes sociais deixar claro a sua indignação. E, em situações como essa, as empresas precisam ser ágeis para resolver o problema, caso contrário, a mensagem postada em sua rede social poderá viralizar de uma forma intensa e, os prejuízos à marca podem ser muito maiores do que apenas trocar o produto, ou se desculpar pelo mau atendimento.
                Mas, por que isso ocorre? Por que é mais fácil fazer a sua reclamação nas redes sociais do que tentar conversar com as empresas pelos meios convencionais? Bom, esse assunto foi tema de uma ótima discussão que tive com os meus alunos do oitavo semestre de marketing na Universidade Anhembi Morumbi, discussão essa, muito rica. Assim, resolvi compartilhar as nossas impressões.
O fato dos consumidores preferirem as redes sociais ao invés de um diálogo com as empresas ocorre porque nossa percepção de tempo mudou. Há alguns anos, nós não tínhamos à nossa disposição todas as facilidades de hoje. Se você quisesse comprar um livro, teria que se locomover até uma livraria, escolher o título, pegar a fila do caixa, voltar para a sua casa e, só assim, poderia desfrutar de sua leitura, uma leitura de marketing, obviamente. Hoje não. Em qualquer lugar que se encontre, pode-se entrar no site da Amazon, escolher o seu livro, e comprar em qualquer dispositivo móvel. Se o livro for digital, não existe nem a necessidade de esperar a aprovação de seu cartão de crédito, basta apenas confirmar a compra que o livro estará disponível na plataforma escolhida. Se o livro não for digital, não tem problema, eles disponibilizarão alguns capítulos para que você possa começar a ler antes de o mesmo chegar em sua residência. Notaram? Hoje podemos ter (ou desejar) os produtos a poucos cliques de distância, de forma rápida e segura.
Portanto, quando não somos atendidos de forma adequada pelas empresas, queremos uma solução com a mesma velocidade pela qual podemos adquirir os produtos, porém, a conta não fecha. Quando temos um problema com uma empresa, o seu processo para a resolução é muito lento, o que faz com que sejamos obrigados a recorrer às redes sociais porque sabemos que a resolução do problema ocorre de forma mais rápida e, também, porque é muito mais acessível do que ter que ligar para o SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) da empresa.
Falando em SAC, outro fator que leva os consumidores a reclamar de seus problemas nas redes sociais é o SAC. Foram as próprias empresas que criaram a cultura de “vá a rede social que o seu problema será resolvido”. Se quando um consumidor entrasse em contato com a empresa para relatar o seu problema, fosse atendido de forma cortês e rápida na solução do problema, com toda certeza ele não iria as redes sociais externar a sua indignação. Não iria porque não haveria necessidade e, por mais que muitos não concordem, nós gostamos de determinadas marcas e torcemos por elas, assim, não gostaríamos de ter que criticá-las em público.
Isso quer dizer que a vulnerabilidade que as marcas possuem em épocas atuais, que se não for tratada adequadamente pode comprometer um trabalho de construção de marca, é culpa exclusivamente das próprias empresas. Se elas tivessem um SAC que fosse mais efetivo em resolver os problemas dos consumidores, eles não teriam a necessidade de recorrer às redes sociais, e apenas usariam essas plataformas para elogiar as marcas e não para criticá-las.
Portanto, use os seu SAC de forma estratégica. Ofereça soluções, e não cansativas jornadas por menus de opções. Lembre-se que a percepção de tempo mudou. Porém, se o consumidor entender que é mais fácil e lógico usar essa forma de comunicação, ele jamais irá às redes sociais, e assim, a gestão de seu relacionamento com eles será mais fácil e duradoura.

Translate